Para que servem os exames complementares
O PCMSO lista, para cada função, os riscos a que a pessoa fica exposta e os exames que acompanham esses riscos. Ruído pede avaliação da audição; poeiras pedem pulmão e imagem do tórax; dirigir ou operar máquinas pede visão. Os complementares são a parte mensurável desse acompanhamento.
Para o RH, eles têm duas funções práticas. A primeira é dar ao médico informação suficiente para concluir o ASO com segurança. A segunda é formar uma série histórica: a comparação entre o exame de admissão e os periódicos é o que mostra se alguma condição de trabalho está causando dano, e é também o que protege a empresa quando uma doença preexistente é atribuída ao emprego.
Complementar não é pacote fixo. Duas funções na mesma empresa podem ter listas bem diferentes, e é o PCMSO que separa o que é necessário do que é desperdício.
Audição, visão e função respiratória
Audiometria ocupacional
Indicada para quem trabalha exposto a níveis de pressão sonora elevados. Inclui a audiometria tonal, que mede os limiares por frequência, e a vocal, que avalia a compreensão da fala. A NR-7 tem um anexo próprio para esse controle. Veja a audiometria ocupacional.
Acuidade visual
Teste rápido que mede a nitidez da visão de longe e de perto. É comum em funções de condução de veículos, operação de empilhadeiras e trabalhos de precisão. Detalhes em acuidade visual.
Espirometria
Mede volumes e fluxos de ar dos pulmões. Acompanha trabalhadores expostos a poeiras, fumos, névoas e outros agentes que afetam as vias respiratórias, e também pode ser pedida antes do uso de respiradores. Conheça a espirometria ocupacional.
Coração e sistema nervoso
Eletrocardiograma ocupacional
O ECG registra a atividade elétrica do coração em repouso. O médico do PCMSO costuma incluí-lo em funções em que um mal súbito colocaria a própria pessoa ou terceiros em risco, como trabalho em altura, eletricidade e direção.
Eletroencefalograma ocupacional
O EEG registra a atividade elétrica do cérebro. Quando indicado pelo médico, apoia a avaliação de funções críticas, em que uma alteração neurológica teria consequências graves.
Exames de imagem
O raio-X ocupacional segue regras diferentes do raio-X de consultório. O objetivo não é investigar uma queixa, e sim acompanhar o efeito de um risco ao longo do tempo.
- Raio-X de tórax padrão OIT: feito e interpretado segundo a classificação internacional de pneumoconioses, para expostos a poeiras minerais como sílica e asbesto.
- Raio-X de coluna: incidências cervical, dorsal ou lombossacra, quando o médico do PCMSO entende que a avaliação clínica da coluna precisa de apoio de imagem.
Avaliações específicas de algumas funções
Avaliação psicossocial ocupacional
Aplicada principalmente a quem vai trabalhar em altura ou em espaço confinado, em que as normas pedem que a aptidão considere também fatores psicossociais. Saiba mais em avaliação psicossocial ocupacional.
Fit test qualitativo
Ensaio que verifica se o respirador escolhido veda de fato no rosto de cada usuário. É peça do Programa de Proteção Respiratória e evita que a empresa entregue um EPI que não protege.
Exame toxicológico
Obrigatório para motoristas profissionais com CNH nas categorias C, D e E na admissão e no desligamento, com registro no evento S-2221 do eSocial.
Exames laboratoriais ocupacionais
Alguns riscos químicos e biológicos são acompanhados por exames de sangue ou urina. Hemograma, provas bioquímicas e indicadores de exposição a metais, solventes e agrotóxicos entram aqui, sempre conforme o PCMSO. Quando o objetivo é medir a absorção de um agente químico, o tema é tratado em monitoramento biológico.
Como a MT9 organiza os complementares da sua empresa
- Leitura do PCMSOA equipe cruza função, riscos e exames previstos antes de agendar qualquer colaborador.
- Agenda únicaClínico e complementares são marcados em sequência, para reduzir o tempo do colaborador fora do posto.
- Resultados ao médicoOs laudos chegam ao médico examinador antes da conclusão do ASO.
- Arquivo e eSocialOs exames ficam no prontuário do colaborador e alimentam o evento S-2220 nos contratos de gestão.
Quando revisar a lista de exames
- Função nova ou reestruturada: riscos diferentes pedem exames diferentes.
- Troca de processo ou produto químico: o inventário do PGR muda e o PCMSO acompanha.
- Troca de fornecedor de SST: boa hora para conferir se a lista herdada ainda faz sentido.
- Auditoria de cliente ou fiscalização: a empresa precisa mostrar coerência entre risco, exame e resultado.
Se o seu PCMSO está desatualizado ou não existe, comece por ele em PCMSO e PGR.