O que a audiometria protege
A perda auditiva causada por ruído se instala devagar, não dói e, quando o trabalhador percebe, costuma já estar avançada. É irreversível. A audiometria ocupacional existe para detectar essa perda nos estágios iniciais, quando ainda dá para corrigir a exposição e proteger o que resta da audição.
Para a empresa, o exame tem um segundo papel: é a prova de como estava a audição do colaborador em cada fase do contrato. Sem essa sequência de exames, fica difícil demonstrar que uma perda já existia na admissão ou que as medidas de proteção funcionaram.
O exame em si é simples. Dentro de uma cabine com isolamento acústico, o colaborador usa fones e indica sempre que ouve um som, em diferentes frequências e intensidades. O resultado é um gráfico, o audiograma, que mostra como cada orelha responde. Em alguns casos, o exame inclui também testes com palavras, para avaliar a compreensão da fala. Não há dor, agulha nem preparo complicado, mas há regras de execução que garantem que o resultado seja confiável.
Quem precisa fazer
A indicação parte de dois documentos que conversam entre si. O PGR identifica, no inventário de riscos, quais funções estão expostas a ruído. O PCMSO transforma essa informação em programação de exames. Na prática, costumam entrar na lista:
- Operadores de máquinas, prensas, serras e compressores.
- Trabalhadores de indústria, metalurgia, marcenaria e gráfica.
- Equipes de obra, manutenção e oficinas mecânicas.
- Motoristas e operadores de equipamentos pesados, conforme a avaliação.
- Funções de setores de produção de alimentos com equipamentos ruidosos.
Se a empresa não tem avaliação de ruído atualizada, o primeiro passo é medir. O laudo de agentes físicos mostra quem está exposto e evita tanto a falta de exames quanto exames desnecessários.
Em que momentos o exame é feito
Para os trabalhadores expostos a ruído, a NR-7 traz um calendário próprio no seu anexo sobre audição. A tabela resume a sequência:
| Momento | Quando | Para que serve |
|---|---|---|
| Admissão | No exame admissional | Registrar a audição de referência |
| Primeira repetição | Seis meses após a admissão | Detectar alterações precoces depois do início da exposição |
| Acompanhamento | Anualmente a partir daí | Comparar com a referência ao longo do contrato |
| Demissão | No exame demissional, conforme o PCMSO | Registrar a condição auditiva no desligamento |
O médico responsável pode reduzir esse intervalo quando houver alteração ou exposição mais intensa. A programação exata de cada função fica no PCMSO.
Na rotina do RH, a forma mais segura de não perder nenhuma data é controlar a audiometria por colaborador, e não por setor. Cada pessoa tem a sua data de admissão, e portanto o seu próprio calendário. Uma planilha simples ou o sistema de gestão de SST, com alerta antes de cada vencimento, já resolve a maior parte dos esquecimentos.
O exame de seis meses é o que mais se perde. Ele não coincide com o periódico anual e, se o RH não tiver controle por colaborador, passa despercebido. Inclua essa data na agenda logo no dia da admissão.
Como preparar o colaborador
Um exame mal preparado pode mostrar uma perda temporária que não existe e gerar retestes, dúvidas e até discussões futuras. Antes da audiometria, oriente a equipe:
- Respeitar o repouso auditivoFicar longe de ruído intenso pelo período que a norma define. Isso inclui o trabalho e também fones de ouvido em volume alto, shows e outros ambientes muito barulhentos.
- Agendar no início do turnoSempre que possível, antes de o colaborador entrar no setor ruidoso naquele dia.
- Avisar sobre gripes e dores de ouvidoQuadros de ouvido entupido ou infecção podem alterar o resultado. A equipe avalia se é melhor remarcar.
- Levar exames anterioresAudiometrias de outros empregos ajudam o médico a interpretar a evolução.
O que fazer com os resultados
A audiometria só cumpre sua função quando os resultados são comparados ao longo do tempo. Uma mudança em relação ao exame de referência acende um alerta, mesmo que a audição ainda esteja dentro do que se considera normal.
- Para o colaborador: orientação médica, reforço no uso do protetor auricular e, quando necessário, encaminhamento para avaliação especializada.
- Para o setor: revisão das medidas de controle, como enclausuramento de máquinas, manutenção e rodízio de tarefas.
- Para a gestão: integração com o Programa de Conservação Auditiva, que reúne medições, EPIs, treinamentos e exames num só plano.
- Para o eSocial: os exames entram no evento S-2220, junto com o ASO.
Erros que custam caro
Quando uma empresa recebe uma ação por perda auditiva, as falhas mais comuns aparecem rapidamente: audiometria admissional que nunca foi feita, sequência com anos de intervalo, exames sem repouso auditivo e fichas de EPI sem assinatura. Cada lacuna enfraquece a defesa.
Outro erro frequente é tratar a audiometria como um exame isolado. Quando os resultados chegam e ninguém compara com o exame anterior, uma piora progressiva pode passar vários anos sem providência. O exame só protege quando alguém olha a sequência e age.
Também é comum a empresa trocar de clínica e perder o histórico. Ao mudar de fornecedor, peça a transferência das audiometrias anteriores junto com os prontuários, para que a comparação continue possível. Sem o exame de referência, o novo médico precisa começar do zero.
O contrário também acontece. Empresas com histórico completo, protetores registrados e medições atualizadas conseguem demonstrar com clareza o que fizeram para proteger a audição da equipe.
Agende a audiometria com a MT9
A MT9 realiza audiometria ocupacional para empresas de Goiânia e região, integrada aos demais exames do PCMSO. Chame no WhatsApp (62) 3661-0052 com a lista de colaboradores e funções.