Pensar antes de fazer
A Análise Preliminar de Riscos é uma ferramenta simples na forma e poderosa no efeito. A tarefa é dividida em etapas; para cada etapa, a equipe lista o que pode dar errado, as consequências e as medidas que precisam estar no lugar antes de começar.
Várias normas regulamentadoras exigem análise de risco para atividades específicas, como trabalho em altura (NR-35), espaço confinado (NR-33), inflamáveis (NR-20) e obras (NR-18). Mesmo onde não há exigência expressa, a APR é a forma mais direta de mostrar que o risco de uma tarefa foi pensado e controlado.
Para o gestor, a APR tem outro benefício: ela obriga a planejar. Materiais, ferramentas, EPIs e liberações ficam definidos antes, o que reduz improvisos, paradas e retrabalho durante o serviço.
Tarefas que pedem APR
- Manutenção de máquinas, com bloqueio de energias e liberação do equipamento.
- Trabalhos em telhados, andaimes, plataformas e escadas.
- Intervenções em instalações elétricas.
- Limpeza de tanques, silos, caixas e galerias.
- Solda e corte fora de áreas preparadas para trabalho a quente.
- Serviços não rotineiros feitos por terceiros dentro da empresa.
Em contratos com terceiros, a contratante continua responsável por coordenar os riscos do seu ambiente. Exigir a APR do prestador e conferi-la antes da liberação é uma das formas mais simples de fazer isso.
APR, AST e procedimento: cada um no seu papel
| Documento | Função | Quando usar |
|---|---|---|
| APR | Identificar perigos e definir controles de uma atividade | Tarefas novas, não rotineiras ou de alto risco |
| AST – Análise de Segurança da Tarefa | Detalhar passo a passo uma tarefa repetitiva | Rotinas operacionais que precisam de padrão |
| Procedimento operacional seguro | Instrução escrita de como executar com segurança | Base para treinamento e para conferência em campo |
Como construímos as análises com a sua equipe
- Lista de tarefas críticasLevantamento com a operação e a manutenção, usando o PGR e o histórico de incidentes.
- Acompanhamento em campoObservação da tarefa sendo feita e conversa com os executantes.
- Análise por etapaPerigos, consequências e controles definidos junto com quem faz o trabalho.
- Procedimento e formulárioRedação do procedimento e de um modelo de APR fácil de preencher no local.
- CapacitaçãoTreinamento dos líderes que vão conduzir e aprovar as APRs na rotina.
O formato é ajustado à realidade da empresa: em papel no local da tarefa, em planilha ou integrado a um sistema de permissão de trabalho que ela já utilize.
Exemplo simplificado de APR
Tarefa: troca de lâmpada em galpão com pé-direito alto, usando plataforma elevatória.
| Etapa | Perigo | Controle |
|---|---|---|
| Posicionar a plataforma | Atropelamento de pedestres, tombamento em piso irregular | Isolar a área, verificar o piso e nivelar o equipamento |
| Subir até a luminária | Queda de altura | Cinto ancorado no cesto e operador capacitado |
| Trocar a lâmpada | Choque elétrico | Desligar e bloquear o circuito antes de intervir |
| Descer e liberar a área | Queda de materiais | Recolher ferramentas e lâmpadas antes de retirar o isolamento |
O que fica com a empresa
- APRs das tarefas críticas: revisadas e prontas para uso.
- Procedimentos operacionais: linguagem direta, com fotos quando ajuda.
- Modelo de formulário: para novas tarefas e para terceiros.
- Ligação com o PGR: controles das tarefas refletidos no plano de ação.
APR não é papel para arquivar depois do serviço. Ela vale se for discutida no local, antes de começar. Para reforçar esse hábito, combine com os DDS e as inspeções de segurança.
Leia também no blog: APR na prática: como montar uma análise preliminar de riscos que funciona